28 de setembro de 2010

À gosto


A garrafa estava lá, cinzento líquido,
E guardada no bar como troféu.
Que bebida, pudesse afagar.
Fui incentivada pelo aplauso da tua galera,
Tomei do líquido cinzento, no todo.
E sobre um vidro do mais puro cristal.
O derramei.
Ví então o fluido contente esparramando-se.
Espantei o vento, não pisquei, não respirei.
Não atrapalhar. Era a questão.
A quietude era tal,
que escutava-se o marulhar do líquido
a vencer empecilhos inexistentes.
Ainda secando refazia-se o texto.
E deu para ler, estava bem claro.
Estava só e liquefeita.


ValériaSorohan



Selinho recebido do blog


24 de setembro de 2010

Desejo de liberdade


É primavera
lá fora.
E eu aqui
tão presa
nos limites
deste vaso.

ValériaSorohan

21 de setembro de 2010

Com as cores e odores das flores


E borboletando sempre,
com cores,
as mais belas. 
Te pintaria flores. 
E cada pétala 
seria um beijo 
de bem-querer.

ValériaSorohan



Recebi este selinho do blog


17 de setembro de 2010

Dois mínimos para compensar o vácuo


Respiração entrecortada.
Que teu olhar
é faca afiada.
Cortando fundo o peito.
De quem te olha
sem jeito.

ValériaSorohan

14 de setembro de 2010

Solilóquio











-Oi
-Oi
-O que foi?
-Nada
-Como nada?
-Ué, nada oras
-O que você tem?
-Nada
-Tem sim, o que é?
-É, eu tenho...
-Então conta!
-Não sei, parece que o mundo parou
-Explique melhor
-Parece que o mundo parou, tudo morreu e só ficou eu
-Calma, não aconteceu isso, eu estou aqui
-Mas você não conta
-Por que não?
-Porque você sou eu
-Ah é... havia me esquecido
-Viu só, só existe eu
-E eu?
-Tá, só existimos nós.

ValériaSorohan

10 de setembro de 2010

Vida passada a limpo

Imagem Sr.do Vale

Quando eu te encontrar amanhã, vida querida.
Abre seus braços.
Me acolhe em seu útero.
Me alimenta de seus raios perenes.
Conte o tempo devagar e o suficiente
para que eu te absorva.
E para que você me ame e me acrescente,
até que eu esteja plena em você,
até que você seja um acontecimento
único em mim.
Abre, então, suas pernas grandes e rígidas,
comprime seu ventre
e me expele no espaço infinito.
Recolha o meu corpo vivo,
penteie meus cabelos,
enche a minha cabeça de cachos,
bota asas na minha alma,
solta meus sonhos,
me nina em seu abraço.
E me dá seu colo morno para dormir.

ValériaSorohan

7 de setembro de 2010

Poesinfonizando

Arte de R. Meneghini, do blog Blue

Você sim!
Encanta
e desmancha
em nuvens,
'poesinfonizando'
a vida.
Teu céu,
é ambiente
perfeito
para as minhas
asas.

ValériaSorohan

3 de setembro de 2010

Janela urbana

"Paris através da janela" - Marc Chagall

Vejo luzes piscando.
Vejo um gato prosaico
no telhado do vizinho,
desafiando a minha alma cosmopolizada,
que há tempos não enxerga gatos em telhados.
Vejo flores sobrevivendo a óleo diesel,
nas janelas sem soleiras.
Vejo o rio que escorre detritos.
Vejo o sol fugidiço se arrastando
pelas alamedas empoeiradas.
Aumento o som de uma música
que modula a frequência dos meus dias.
Penso arte pelos meus cantos.

ValériaSorohan



Selinho recebido do blog