28 de outubro de 2011

Mosaico de contradições


Não fale do amor
até que todas as vagas tenham sido preenchidas.
Não fale do abraço
até que sua mão tenha sido retida.
Não fale de você,
até que a sensibilidade tenha alcançado a imprevista morte do momento.
Não fale da imagem
até que a ideia esteja formada.
Não fale da paz
até que a disputa tenha acabado.
Não fale do meu
até que o nosso tenha se consumado.
Não fale da grade
até que ela tenha sido transposta.
Não fale da lógica
até que o irracional tenha transbordado da própria lógica.
Não fale do sim
até que ele tenha sido aceito em resposta.
Não fale do infinito
até que o máximo tenha sido tentado.
Não fale da diferença
até que ela tenha sido repartida em sua igualdade.
Não fale do especial
até que o geral esteja aplicado.
Não fale do fim
até que ele tenha sido tocado.

ValériaSorohan

21 de outubro de 2011

Brincos de palavras


Já ouvi pessoas dizerem que não gostam de poesia, às vezes até gostam, mas não entende.
A modernidade nos dá esse fardo de presente. Tudo explicado, mastigado, começo, meio e fim.
A preguiça de pensar, a incapacidade de se questionar.
Se  preocupassemos apenas com o óbvio, a poesia nem existiria, já que ela é abstração total.
a gente vive num mundo onde quase não se tem mais pra onde correr,
quase lá no topo da pirâmide
onde tudo já foi dito
- e redito -
sei lá,
enfim,
Igual a música, arte é pra sentir.

11 de outubro de 2011

Acerto de contas



Quando dois que um formavam
se separam
restão dois meios iguais
Esta é a equação,
onde iguais são desiguais.

ValériaSorohan

3 de outubro de 2011

Horizonte ampliado



Eles voam.
Eu vou junto.
E no final…
Não há final
para mim.

ValériaSorohan