28 de janeiro de 2011

O regresso


Não me vais
e eu não te venho.
Partes e regressa
sem ter partido antes.
É poema que resta
ébrio na porta da sala
enquanto ainda
nem abriste as malas.

ValériaSorohan






Selinho do blog
Beautiful Butterfly Woman


25 de janeiro de 2011

São Paulo e suas personagens

São Paulo está cheia de referências que nos obrigam a pensar em tudo, porque ela é tudo, tem tudo e abriga todos.
O velho de chapéu, por exemplo ( ou não será um velho?) que sobe as escadas ao lado do viaduto viu os grafites nas paredes? Pensou o que desses símbolos herméticos? Grafites são uma linguagem cifrada ou não passam de brincadeiras para provocar?
O avião vem ou vai? Quem traz, quem leva? O que vieram fazer os que chegam, por que se vão os que partem?
Com que sonha a japonesinha no ponto de ônibus? com o namorado ou a lição de casa?
O homem de terno preto na calçada, deseja o carro conversível ou o automóvel é dele?
Aqueles sapatos jogados no chão, foram abandonados porque se acabaram ou foram arrancados e ali atirados? Teriam saído de um corpo sendo arrastado. Há uma história de violência ou apenas o cansaço de coisas muito usadas que se tornaram inúteis?
A mulher no farol, vende flores ou leva para alguém? Foi busca-las para enfeitar a casa?
Na Oca, no Parque Ibirapuera, a moça passou indiferente pelo quadro de Picasso ou já o contemplou e vai em frente? Gostou ou ficou perplexa? Uma informação a mais, uma sensação de delírio?
Essas linhas retas, luminosas, curvas formadas pelo trânsito, são instalações vanguardistas da Bienal, quadros abstratos, esboços, rascunhos, tentativas?
Junto à vitrine de neon da boate que promete prazeres, a garota de programa (ou é travesti?) aproveita para dizer que também será prazer por minutos, horas, depende de quanto se pague. Que prazeres ela (ele) oferece? E se essa noite for a última para um dos dois, numa cidade cheia de imprevistos?
Nessa longa - e não terminada - viagem por São Paulo através de imagens, tirei o véu que cobre o inusitado, valorizando os personagens mais comuns quase nunca reparados, detalhes ínfimos pelos quais experimento a minha cegueira mais evidente, como diria Saramago, ou, para ser menos ibérica, na metáfrase a Mautner, " Atrás do arranha-céu tem  o céu, tem o céu..." um perpétuo descortinar que está cidade nos oferece como presente.

20 de janeiro de 2011

Itinerário do sonho


A noite segue com seus mistérios.
O sono não vem,
embarco numa viagem de olhos abertos.
Viajo centenas de quilometros.
Mas como todo sonho,
sinto a realidade me despertar,
o “toque” da sua ausência.

ValériaSorohan

17 de janeiro de 2011

Divagando...

"Noite Estrelada”pintada por Vincent Van Gogh 
é considerada uma das mais famosas representações do céu noturno já criadas.

A esfera é a explosão do universo
ou o universo implode a esfera?
O cobre utilizado é a medida da latitude-longitude
ou é o metal que prende e amordaça?
No alto quase ao centro o esfumaçado é o fogo que penetra
ou é a vazão do conteúdo?
O crítico de arte existe para teorizar o artista
ou o artista é traído pela verdade do crítico?

14 de janeiro de 2011

Lugar ao sol


O horizonte e a vida em frente
é meu porto seguro.
Esse lugar é meu destino.
Tormentas enfrentarei,
mas o meu leme aponta na direção.
Àquela direção onde se pode alcançar.

Valéria Sorohan


Palavras emprestadas:
"Todo homem pode alcançar êxito se dirigir seus pensamentos numa direção e insistir neles, até que aconteça alguma coisa."
(Thomas Edison )

12 de janeiro de 2011

Modus vivendi


Vibre.
A dor tem acordes.
Quanto mais escura
for a noite,
mais claro
será o amanhecer.

ValériaSorohan



Recebi meu primeiro selinho de 2011
do blog Com o coração na boca


9 de janeiro de 2011

Voltei


De tudo me alivio
se ali vou de manhãzinha
a essa angra sem piratas
praia-mar de marolinha.

ValériaSorohan


Voltei dos melhores dias da minha vida.
Senti muita falta de vocês...quase morri de saudades :)
Espero que tenham aproveitado bastante as festas de final-de-ano!
Agradeço as visitas e comentários.