30 de junho de 2010

Vento



Vento que bate, vento que sopra,
vento que me toca
sem ao menos ter permissão.
Vento que me refresca,
vento que invade meu corpo, minha alma,
me levando a voar junto com ele.
Vento que volta,
que me traz de volta.

Valéria Sorohan

28 de junho de 2010

Saparia


Que sapos, todos bem, cada um tem.
Mas quando se tem sapo como convém,
não haverá mais sapo para ninguém.
Quanto mais sapo houver
muito mais sapo se tem
quem sapo tiver.
E se maior é o sapal, assim já vale,
ou há o sapo que tal ou estamos mal.

ValériaSorohan

24 de junho de 2010

Populacho

Rua 25 de março, SP


Apenas o indivíduo tem história,
quando é uma multidão,
não existem rostos,
só números.
Em São Paulo
somos todos íntimos
de uma multidão
de estranhos.

ValériaSorohan


A intimidade intimidante da multidão.
Rostos e restos de histórias,
que vêm e vão, sem perdão.

23 de junho de 2010

Era uma vez

"Annoucing Lightnings" - Tony Gutierrez


Era uma vez... por que será que todo conto de fadas começa assim? É simples. Porque ele conta uma historinha imaginária que aconteceu em outro mundo, um mundo cheio de heróis e vilões. Mas no fim acaba sempre tudo bem.
A história que vou contar não é nenhum conto de fadas por isso ela começa diferente:

Sua existência estava ameaçada. Olhava o futuro e nada via. O alcance de sua visão não ia longe. Não que tivesse esquecido quem foi um dia, onde nasceu, como cresceu, o que estudou, o que trabalhou até aqui. Para ele, não carecia lembrar de mais nada. O vácuo, o abismo já fazia parte do seu horizonte. Ele praticamente vivia como nos tempos pré-históricos: não pensava no passado, não tinha garantia de futuro, apenas sobrevivia a cada dia.
Isso é uma percepção real do dia-a-dia, de uma pessoa que vive enclausurado num presente contínuo, é sempre a repetição do mesmo, todo o tempo o tempo todo. Mas nem tudo está perdido.
Se ele adquirir o hábito da leitura durante algumas horas, que pode se prolongar por toda a sua vida. Isso porque ele não teve esse hábito na infância, onde todos começam a se interessar pela leitura numa história infantil que começa sempre com Era uma vez.

20 de junho de 2010

Se...



Se eu tivesse forças para chegar até o interruptor.
Se houvesse luz.
Se eu tivesse coragem de me descobrir.
Se houvesse uma conexão entre nós.
Deixaria você me ver.

ValériaSorohan



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18 de junho de 2010

Imenso

Eu chego aqui e nunca sei o que escrever, mas vou faze-lo porque não sei outra forma.
Eu compreendo o meu cansaço, é o cansaço de um coração que bate, e acho que há sempre um momento para se cansar. Muitas vezes as coisas nos ultrapassam e ficam maiores do que a gente, ou simplesmente se descolam nalgum ponto e você se surpreende com o que vê.
Sou maior do que aquilo que consigo escrever, sou maior do que as tecnologias, não caibo nas mídias disponíveis, não posso ser totalmente captada pela fotografia.
Isso me lembra muito da analogia que Clarice Lispector faz no Água Viva, senão me engano, sobre dar o leite para o seio não ‘rebentar’. As vezes somos demais para o corpo que nos carrega.
Ninguém nunca vai conseguir se traduzir escrevendo, primeiro seria preciso reinventar a escrita. Mas também não deve deixar de fazê-lo - escrever - porque é o que nos redime como um grito silencioso quando algo não cabe mais em nós.


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16 de junho de 2010

Vontades


Cores, muitas cores de uma vez só...
A música que me embala neste momento...Esquadros (Adriana Calcanhoto)

Mas que vontade que dá...
De correr (de vez em quando);
De chorar (às vezes dá...);
De gritar (Sempre dá);
De te dizer (meu bem querer...).


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13 de junho de 2010

O pouso final



Sonhei com você. Senti uma vontade absurda de provar teus lábios em um canto qualquer. Sentir o cheiro da sua nuca, os seus suspiros ao tocar em minha cintura, pois para mim seu corpo seria o pouso final do meu desejo, ou até mesmo o começo de todas vontades insanas que sinto hoje por ti.
Senti uma vontade de corromper a minha moral sob teu sexo, de me deixar prestes as loucuras que às vezes somente se tem coragem uma vez na vida.
Ah, se esse desejo sonhado se transformasse, daria tudo para que os dias nunca fossem iguais.
Os teus olhos preso aos meus e uma vontade de ser feliz brilhando neles.
Me enroscar em seus braços. E totalmente envolvida dizer que te quero. Infinitas vezes te quero.

ValériaSorohan



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11 de junho de 2010

Menina de vento



Sou fugitiva,
Se descobrirem por onde ando,
Cortarão minhas asas.
Por isso, voo o quanto posso.
Hiperventilada,
Tonta,
Nadando
Nesse Oceano
De Ar.

ValériaSorohan



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9 de junho de 2010

Leveza



Poemas que vão

Ou penas que voam?


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Post inspirado neste selinho recebido das amigas Laura do blog Crônicas e Devaneios
E da amiga Rosana do blog Palavras Soltas.


7 de junho de 2010

Entre elas e uma luz

Arquivo pessoal


A sombra surge em um significado singular.
Não vemos a melancolia ou tristeza.
Talvez uma aconchegante forma de se sentir protegido pelo anonimato da noite.
Surge o prosseguir da vida como o caminhar de estrelas.
O alinhar de astros ou desalinhar de vidas.
Ser simplesmente sombra, ainda é ser.

Valéria Sorohan


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2 de junho de 2010

Você (con)texto


No torpor

das tuas reticências.

Na eloquência

da tuas aspas.

Prefiro me abster

aos teus pontos finais.


Valéria Sorohan



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