10 de junho de 2009

Do fundo do meu estômago

Uma vez comi um ravioli que foi a coisa mais incrível da minha vida. Depois disso meu paladar nunca mais foi feliz. Aposto que com vocês também é assim: um dia vocês experimentam uma comida gostosa e, depois, passam o resto da existência tentando reproduzir a experiência gastrônomica. E nunca conseguem, e com o meu ravioli mágico ideal fo assim. Tudo começou quando...
Eu aguardava o lançamento de um livro. A coisa foi demorando e, claro, tinhamos ido pra lá sem almoçar. Quando terminei o que tinha de fazer por lá, resolvemos, eu e um grupo de amigos, almoçar.
Por causa do horário inadequado o restaurante era todo nosso. Pedi um ravioli. Acho que se alguém me oferecesse um pão com água, eu ia achar uma delícia. Naquela situação, poderia comer qualquer coisa. Mas o ravioli - justiça seja feita - estava gostoso. Muito gostoso. Incrivelmente gostoso. Minhas papilas gustativas tinham orgasmos múltiplos. Estavamos felizes e, por isso, tudo ficava ainda mais saboroso. Começava aí o meu Caminho de Santiago do ravioli mágico ideal. Porque nunca mais consegui comer um ravioli como aquele.
Muitas vezes tentei ir ao restaurante repetir o almoço. Só que sair para almoçar num final de semana paulista é quase uma guerra. Como o grande programa de São Paulo é o bendito almoço, as filas são clássicas. E uma das coisas que mais odeio é ficar na fila de espera de restaurante. Ou seja, o mito do ravioli foi crescendo. Se tornando um monstro. O ravioli, na minha cabeça cheia de imaginação, foi ficando ainda mais gostoso.
Só me resta seguir, sabendo que tudo na vida é uma idealização. Inclusive nosso amores. Mesmo que você tenha se apaixonado por...
um ravioli paulista.