29 de abril de 2011

Coisas que falam por mim


As vezes me identifico mais com os objetos do que comigo mesma. Explico-me:

Atualmente, eu diria que sou minhas chaves...minha busca por novos caminhos, abertura de novos horizontes e procura pelo que há lá dentro. Ando tentando me decifrar mais, sem me sentir chata, abro até onde eu mesma permito , algumas coisas ainda merecem estar trancadas , então...eu deixo!

Gosto também de pensar que sou um lápis, segura pela mão do destino e pelas consequências do que traço. Às vezes essa mesma mão me deixa ao léu e nessas horas de inércia é bom refletir antes de traçar novas linhas. É bom ser apontado de vez em quando, para firmar o traço em novas perspectivas. O tipo de traço depende da mão que segura e pode ser belo e afável ou trêmulo e feio, enfim respondo exatamente da forma como me seguram. Sou direta e simples.

Muitas vezes sou uma pipa bem colorida. Voando, voando alto, como meus sonhos, mas com os pés no chão. Através da linha que me mantém ligada a algo real. De vez em quando vem o marasmo, quando não há vento, nem ninguém para me segurar. E então fico guardada, esperando, ansiosa, um novo dia de sol e de vento.

E vocês? Com qual objeto se identificam?

25 de abril de 2011

Fragmentos



Desejo intenso
não cabe no que penso,
e o que sinto
precisa derramar-se...
Palavras dizem
em versos, os meus beijos.
E os meus anseios
em sonhos se repartem...

ValériaSorohan

23 de abril de 2011

Minutos cor de rosa


Como substrato último
da feminilidade que me habita.
Sei que em um ósculo frio,
há sempre um desejo dormente
de um intermitente fluxo de calor.

ValériaSorohan

19 de abril de 2011

Instante afogado



O verso escorreu,
me molhou.
Transbordava,
enquanto seu desenho
se apagava
em meus olhos tristes.
E meu peito às vezes volátil,
às vezes feito chumbo,
me leva para o fundo,
sem retorno,
sem exclamação.

ValériaSorohan

15 de abril de 2011

3D













Deserto
Por muitas vezes tenho ausências.
É quando saio de mim, deixo de ser eu
e de "sentir" as coisas costumeiras.
É a seca, o silêncio que precede o barulho.
Logo depois desse "não-estar"
sai algo muito bom,
por vezes de maneira bem intensa.













Dúvidas
Sempre as terei
e algumas, não conseguirei soluciona-las.
Tudo passa pela dúvida,
inclusive a razão













Demônios
(a loucura):
certamente ao tentar sem "bonzinho"
e completamente "são"
você matará a si mesmo,
não conseguirá mais se reconhecer.

13 de abril de 2011

Imagens

Imagine um poeta fazendo versos
Uma rua estreita
No centro de São Paulo
Um manicômio
Depois a praça da Liberdade
Um policial à paisana
Uma piscina de água azul
Um blue
Na voz de Flora Purim
Um palhaço
Um lençol no varal
Depois as luzes do camarim
se apagam
E o poema
Entra em cena
Uma cadela prenhe
Dorme na soleira
O abajur ilumina
O quarto vazio
A lua corre bêbada
Entre nuvens cinzas
O cinzeiro coroado
A fumaça, cortina azul
O dia anterior
Caminho pela Getúlio Vargas
Dividindo meu espaço
Entre luzes e faróis
Essa terapia em grupo
Esse casal divorciado
Elétrons
Correntes de elétrons
Meu corpo vive eletricamente
Espasmos, vômitos
E essa paixão ignóbil
Esse momento em êxtase
Entre delírios
Vitrines e visões
Reviro emoções
e latas.

7 de abril de 2011

Meu cais


Eu sou uma nau,
você um cais,
Eu sou um pouco
e você mais...
Eu um doce
e você sais.

ValériaSorohan

É infantil, eu sei...mas se as inquietações não se fazem suficientes para desenrolar uma ou duas palavras que façam sentido, preciso provocar e injetar uma tormenta nessa brisa e (falsa) calmaria que me circunda.
Além do mais, brincar me dá prazer e a certeza de que há uma possibilidade criativa existindo em algum lugar em mim.

4 de abril de 2011

Lesões corporais gravíssimas



Preciso de um truque
para juntar
meus caquinhos poéticos,
pois os tenho deixado
aos poucos em
todos os lugares
 - e acabo nunca tendo
um verso completo.

ValériaSorohan


Carinho recebido do blog