Não. Eu não sei o que fazer, apesar de ser de tarde, uma tarde como qualquer outra segunda-feira. Sou eu. É comigo que as segundas-feiras não fazem sentido ou sexta, o domingo e até a quinta-feira que me fazia intensa por um motivo que eu nunca compreendi e nem tentei.
Eu quero muito que o telefone toque, que seja alguém que eu, a princípio, não saiba quem é, ou que venha me visitar uma grande novidade. É preciso que eu ria sem saber por quê. O tédio é letal e a morosidade desse igual diário, me rouba o ar e eu quero, de repente, que haja motivos para sair nas ruas, é extremamente necessário que me tragam um assunto inusitado, ainda que ele seja roubado de outras estâncias e habilmente adaptado para essas regiões daqui.
É fatalmente urgente que alguma coisa chegue a mim sem o cheiro repetido que carrego nos meus trinta e poucos anos enfraquecidos de todos meus aniversários quebrados.
É fundamental que eu comemore uma fundação ou um lançamento, mas que seja vermelho e não branco, que o branco me enjoa, de já tão comemorado.
É inadiável que me tragam um gosto novo, um dialeto novo, até mesmo um cansaço que eu não conheça, uma dor que eu não tenha sentido.
É preciso, é vital que me tragam a ascensão ou a queda, ou até mesmo, a proposta de tudo isto. Mas que por favor, não arrastem na língua esse ranço insuportável do digerido, vivido, sentido, provado e reprovado.
ValériaSorohan