28 de novembro de 2011

Conto-da-carochinha



Justamente nas reticências que se instalam logo após o "e viveram felizes para sempre"
e antes do peso de um "para sempre", inicia a estória. Também não há a necessidade de um desenrolar ilusório que, persistentemente, segue um "Era uma vez". Tendo em vista que o de praxe não foi utilizado no princípio, por igual razão e, eximido de qualquer obrigatoriedade, fica de fora o "pra sempre", já que "sempre" é tempo demais e não persiste na estória da carochinha que começa aqui e acaba logo ali ao final do primeiro parágrafo.
Também não há estrofe, pois, em concordância, não há mais poesia, e não há rima, já que a soma de um e outro não combina. Mas há um ponto, um ponto final.
THE END

25 de novembro de 2011

A hora da espera


Eu esperava... Havia ânsia e momentos cortados, em cada gesto, em cada verbo, heroicamente irregular.
Se havia paixão naquela febre, nunca saberei. Sei que havia laços, de cores e formas diferentes. Tinha meu pensamento e cansaço, tão pungente que não me deixava saber nunca, se eu queria ir ou ficar.
O abecedário todo me esperava emaranhando-se, como se houvesse São João, bandeirinhas e a quadrilha embaralhada e fértil, que multiplicava as pessoas, que se trocavam umas pelas outras, sem errar um passo.
Eu sentia calor e transpirava saudade. Havia um transbordamento contínuo de minha vida, que se jogava pra fora da boca, como um soco. O sentido de tudo se trocava sempre, como se fosse música e o dó fosse onduladamente em busca do si, passando pelo fá, numa escala irresistível e elástica.

18 de novembro de 2011

Antelóquio

"My Soul mate" 

Dói,
sempre dói
o silêncio
das palavras
que urgem
ser ditas
e não são.

ValériaSorohan

10 de novembro de 2011

Faz de conta


Faz de conta que de repente, a noite se fez linda e que a solidão foi tão pequena, que apenas o riso de alguém feliz foi o bastante para que ela fugisse assustada, buscando noites de insônia e frio. Fecha os olhos e pensa que  afinal, a mais distante das possibilidades está tão perto de ti, que se fizeres um pequeno esforço, e estenderes teu braço, poderás tocá-la com os dedos.
Acredita, mesmo que todas as vozes te gritem que é mentira. Tu és a mentira ou a verdade, o que quiseres será real, o que desejares será teu, porque tens em ti a posse natural, de sair pelas ruas, falar, ver, dar a mão a gente. Gente feliz ou infeliz, gente que sai em busca, gente que procura, gente que encontrou.
Faz de conta que a chuva fina que cai, são gotas suaves de um mágico colírio que limpa os teus olhos de tuas dúvidas, de teus medos, de tuas vontades loucas. Pensa por um momento e sente a importância disto. Observa que maravilhosa descoberta. Sente como foi sereno fazer de conta.