30 de abril de 2010
A vida era boa
"Eu acordava com as galinhas" e era verdade, pelo menos quando passava as férias no sítio dos meus avós.
Até hoje tenho na lembrança o cheiro do cafezinho feito na hora, os bolinhos de povilho que minha própria avó preparava. As tosses matinais do meu avô, por causa do maldito cigarro de "panha".
São lembranças maravilhosas, as corridas atrás dos porcos, morria de medo, mas a curiosidade de menina não me deixava ficar de fora.
Que época gostosa, o tempo passava sem pressa...saudade!
Hoje eu sei vózinha!!! hoje eu sei...
A vida era boa, não por ser no sítio, mas porque era na infância.
Por Valéria Sorohan
28 de abril de 2010
Trinta e poucos anos de mim mesma
Sou como uma piscina, meio água, meio cloro, bastante certa de que é necessária a mistura de opostos, para que haja um todo quase belo. Eu tenho compreendido o meio, o semi, o quase.
Eu sou o balanço do trem
Eu sou o vermelho das letras que pintam a lata de cerveja
Eu sou a distância perdida
Eu sou o sim como resposta
Eu sou as flores que minha mãe deixou de plantar
Eu sou a última tragada do último cigarro
Eu sou a verdade do prazer do meu pai
Eu sou o cheiro limpo da chuva caindo na pedra morna
E tenho o tempo de um sorvete de chocolate.
Por Valéria Sorohan
26 de abril de 2010
Faltam-me as palavras
Eu gostaria de saber inventar palavras. Aquela palavra que não existe em dicionário algum. A única que poderia expressar exatamente o que sinto.
Há tempos procuro por ela, fico examinando, pensando. Não encontro uma palavra que possa passar a ideia do que sinto dentro de mim, algo que jorre, transborde, inundando tudo em minha volta, e não sossega enquanto não te alcançar.
É tão imenso e exagerado, como acabei de escrever. Talvez algo para usar como parâmetro. Mas não consigo usar as palavras. Elas nunca foram legais comigo. Sempre me escapam quando preciso delas. Então deixo de pensar sobre isso. Chega de procurar a palavra certa. Chega de me ocupar reinventando o português. Volto então a pensar no que sinto, no que você sente.
Volto a pensar em nós.
Por Valéria Sorohan
23 de abril de 2010
Vende-se encantadora propriedade
O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
- Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.
Ás vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de miragens de falsos tesouros. Valorize o que você tem, as pessoas que estão perto de você. Esse é o seu maior tesouro.
Bom final de semana!
22 de abril de 2010
Para o dia da terra, uma reflexão
Não sabia que hoje era celebrado o dia da Terra (Earth Day); mesmo não sabendo desse dia, sempre fiz e continuarei fazendo um pouco de tudo, para que o nosso planeta fique mais limpo para as gerações vindouras. Façam vocês também um pouco todos os dias e os vossos (nossos) filhos e netos, irão agradecer.
Sede
Sede é um sinal vital.
Quando falta água
o corpo e a terra exigem mais.
E nesse momento o planeta
já deu o alerta: sente sede.
Um quarto da população do mundo
não tem acesso a água potável.
O socorro pode vir
de um gesto simples:
fechar a torneira.
Você e cada gota
fazem muita diferença.
Valéria Sorohan
Valéria Sorohan
19 de abril de 2010
Um verbo para dois
Nem todo mundo sabe que o verbo querer fica melhor em dupla.
Um querendo de lá e outro querendo de cá viram dois que se completam.
E quando isso acontece, dois quereres ao mesmo tempo, os sinos sempre badalam, os olhos piscam feito estrelas, os corações batem mais forte, razões perdem completamente o sentido, tudo vira maravilha em volta, a vida quase fica tonta e o resto não importa.
(Trecho do conto Sarnento, pulguento, magrinho uma graça! - Adriana Falcão)
16 de abril de 2010
Borboletando
Mesmo voar, que fora sempre, até então o motivo maior que me fazia correr atrás do verão mais próximo, me parecia uma ideia entediada e morosa. A solidão andava diferente. Ela vinha de vez em quando, me olhava e sorria e eu, maravilhada, não me assustava e beijava a solidão na boca, como se tivesse ficado louca. Foi depois de enlouquecida que eu fiz danças e comecei a esquecer os medos, as janelas fechadas e aquele buraco cinza, que chamava defesa e meu pai dizia, juízo.
Valéria Sorohan
14 de abril de 2010
Crepúsculo outonesco
Nesse outono paulista.
Que não sabe se chove ou se faz o mais belo Sol,
eu vou por ruas estreitas, sempre à espreita,
sem que me percebam, pois eu prefiro percebê-los.
Não pretendo que vejam meu sorriso,
mas gostaria de retribuir qualquer bom-dia sem graça.
Um ônibus cheio aqui, outro a colá,
Mas nada disso importa se houver alguém ao lado,
que ofereça o mais belo dos sorrisos e o mais doce dos beijos.
Seguindo, eu tento encontrá-lo,
e quando o fizer, Condená-lo ei à amizade da poesia
e do escurecer risonho do crepúsculo outonesco.
Valéria Sorohan
12 de abril de 2010
Presença duradoura
Na cor era noite ainda, no relógio madrugada. Em seguida fiquei enjoada, como se fosse ressaca, tomei um desses efervecentes e achei que devia ler. Eu gosto muito de ler durante a madrugada, em cinco páginas eu me fartei do livro e de novo me senti enjoada. Comecei a me mexer na cama, como se a chupeta me tivesse caído da boca. Mas eu nunca usei chupeta, gostava do meu próprio dedo, este eu jamais perdia. Isso já demonstrava, então, a enorme antipatia que eu tenho por insônia.
Mas hoje ela veio me visitar e eu não sei o que dizer ou fazer dela. Há tempo que não nos avistávamos. Sua presença me irrita, me lembra profundamente a ausência de qualquer coisa.
O relógio já bateu duas vezes desde que ela chegou, e fico a maior parte do tempo bocejando para distraí-la. Talvez ela se entedie e vá embora.
Mas justo hoje que eu precisava descansar. Tenho um dia cheio, a começar pela manhã.
Fico mais irritada, quando penso que poderia estar dormindo e sonhando.
Não tenho noção das horas, mas não sou a única pessoa que não dorme. As outras, que passam embaixo da minha janela, falam alto, numa tentaviva absurda de achar que tudo vale a pena. Não precisa gritar, gente que passa, faz tanto tempo que tudo vale a pena.
A insônia já não me importa, nem eu a ela. Francamente eu nem sei se ela ainda está aqui. Não me sinto cansada, acho até que adormeci, quando o último momento de penumbra me sorriu, ainda hà pouco.
9 de abril de 2010
Come si fa una bella polenta
Uma boa polenta se faz no fogão a lenha, com fubá triturado em moinho de pedra, sal, uma panela de ferro com água fervente, uma colher de pau e uma avó que saiba mexer. No interior de São Paulo encontrava-se tudo isso com facilidade.
O costume da minha família de comer polenta acompanhada de molho de tomate, carne moída, carne de porco ou frango e queijo ralado veio com minha vózinha que, entre uma risada e outra ia mexendo a panela sobre o fogão e ensinando os truques para "acertar a mão".
A paciência da nona era o ingrediente fundamental.
Essa saudade é do tipo que a gente sente o cheiro. Ah! como eu queria saborear aquela polenta só mais uma única vez.
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
Mário Quintana
7 de abril de 2010
5 de abril de 2010
Happy
Viva seu momento e sinta a dor que lhe chama ao peito. Saiba que ela vai passar.
Muitos de nós passamos por desamores."Superar" é a palavra de ordem, porém o mais importante é não deixar de acreditar na felicidade, pois ela sempre bate a porta quando estamos desatentos.O tempo muda os conceitos.
Como já dizia aquele filosofo, o Ritchie, “a vida tem dessas"
Como já dizia aquele meu amigo, “para ou vou lhe oferecer um lenço”
E aquele cantor “para o mundo que eu quero descer”
E os franceses “c’est la vie”
E os ingleses “such is life”
Me lembrei de outra sabedoria popular: “Nao vale a pena gastar vela com difunto ruim”
Apesar de que ao falar isso estou “chutando cachorro morto” (ok, essa foi infame).
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