25 de junho de 2011

Como rosas de areia


Nem toda alma
suporta o desassossego
Nem todo desassossego
fertiliza
Nem todo amor sobrevive
Mas toda dor
ensina.

Compondo-me, 
decompondo-me, 
sou assim: 
toda fragmentos

ValériaSorohan

22 de junho de 2011

Das imensidões da minha alma


Eu toda prosa
Respiro em versos.
Ademais,
sou personagem.
escrevendo,
escrevendo,
até esvaziar.
Quando me sinto presa,
proseio,
quando grito,
poeto-me.

ValériaSorohan

20 de junho de 2011

Mudança de ventos


Eu tenho um coração alado, que vez ou outra
toma um rumo e voa alto.
E nessa arremetida em direção ao infinito,
às vezes tenho uma síncope,
e quase morro de amor.
E descanso a mente nas edições coloridas
das minhas ilusões,
e começo um desejo que ao longe inspiro:
Vou amarrar meu ponto.
Te contar um conto.
E fazer verso rimado.

ValériaSorohan


Recebi este selinho

13 de junho de 2011

Brandura



Eis que surge
o mar
e  surgem
os barcos
que navegam
por águas tranquilas,
quase paradas
na superficie,
mas donas
de uma correnteza
 incomensurável
em meu interior.

ValériaSorohan

9 de junho de 2011

A chave mestra


Tem um som diferente, a campainha do vizinho. Escutando essa outra me parece mesmo, um som agradável de se ouvir. Não é preciso tomar nenhuma atitude quando a escuto. Não carece que eu sorria, caso seja uma boa surpresa, ou que fique entediada e aborrecida, se for descoberta pela rotina enjoada do "tudo na mesma", ou até ficar chocada, triste e secando a coriza com as mãos, posto que a campainha também faz chorar e nunca traz um lenço aos surpreendidos.
Fico remexendo e embaralhando as ideias, mas as cartas estão muito marcadas ou, talvez, eu não saiba realizar o jogo. Acho que não conseguiria aprender as novas regras porque eu não quero aprender desse jeito nunca. Se eu conseguisse lembrar os sonhos...A solução existe, eu sei...
Ora, mas afinal, por que estou aqui ensaiando soluções, se foi a campainha do vizinho que tocou e não a minha?

ValériaSorohan

1 de junho de 2011

Blindagem


Hoje estou assim, meio espacial, meio medieval, com uma vontade enorme de fugir para a lua e plantar bem no seu centro um jardim de flores e crianças vestidas só de cheiro e cor.
Pressinto uma sensação crescer no meu corpo, não sei se choro, se grito, se rio ou se apenas sinto e sei também que a dúvida que desconcerta minha razão é exatamente saber o que fazer com tudo isso que eu ando sentindo por aí, sem cuidado, sem atenção.
É hora de despertar a razão dormente, embora a certeza de grandes lagos transparentes e samambaias ritmadas não saia de dentro do velho baú trancado no fundo do meu quintal.
O mundo parece ter parado comigo. As pessoas estão escondidas por grossos casacos de lã, a impressão que se tem é que estão rindo para dentro, por medo de receberem risos consequentes e o mundo morre por medo de sorrir e as pessoas congelam pelo medo de dar as mãos.
Nada justifica, nada explica, eu falo e as pessoas subentendem, com olhares rápidos que confirmam ou discordam ou simplesmente, se omitem. Se pelo menos a omissão fosse minha, se as páginas em branco fossem minhas. Não existe mais eu, existe só a vontade muito grande de encontrar um velho disco que me separou de mim, num tempo em que eu estava aberta para o mundo e o mundo me disse não e agora eu digo não para o mundo - pelo menos por hoje.

ValériaSorohan