1 de junho de 2011
Blindagem
Hoje estou assim, meio espacial, meio medieval, com uma vontade enorme de fugir para a lua e plantar bem no seu centro um jardim de flores e crianças vestidas só de cheiro e cor.
Pressinto uma sensação crescer no meu corpo, não sei se choro, se grito, se rio ou se apenas sinto e sei também que a dúvida que desconcerta minha razão é exatamente saber o que fazer com tudo isso que eu ando sentindo por aí, sem cuidado, sem atenção.
É hora de despertar a razão dormente, embora a certeza de grandes lagos transparentes e samambaias ritmadas não saia de dentro do velho baú trancado no fundo do meu quintal.
O mundo parece ter parado comigo. As pessoas estão escondidas por grossos casacos de lã, a impressão que se tem é que estão rindo para dentro, por medo de receberem risos consequentes e o mundo morre por medo de sorrir e as pessoas congelam pelo medo de dar as mãos.
Nada justifica, nada explica, eu falo e as pessoas subentendem, com olhares rápidos que confirmam ou discordam ou simplesmente, se omitem. Se pelo menos a omissão fosse minha, se as páginas em branco fossem minhas. Não existe mais eu, existe só a vontade muito grande de encontrar um velho disco que me separou de mim, num tempo em que eu estava aberta para o mundo e o mundo me disse não e agora eu digo não para o mundo - pelo menos por hoje.
ValériaSorohan
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43 Mil comentários:
Acho que vivo assim diariamente. Aflito, calmo e tudo ao mesmo texto. Belo texto!
Talvez seja melhor deixar a razão sonhar que é emoção e se abrir para o mundo que não diz, somente sente.
Abraço carinhoso.
Somente hoje. Somente hoje, e por que não? Falar 'não' faz parte do bem viver, deixar páginas em branco também.
Amanhã é outro dia, quem sabe, a gente recomeça...
Beijos,
Suzana/LILY
P.S.: texto desabafo? Gostei muito.
Valéria ,mais ou menos assim como canta Ana Carolina:
"vim gastando meus sapatos
me livrando de alguns pesos
perdoando meus enganos
desfazendo minhas malas
E ficava confiante!
outra hora era o Nada
a vida presa num barbante
E eu quem dava os nós"
Quem sabe a hora de desfazer a blindagem? derrubar o muro?
depois conta mais rs
abraços flor
Expressão perfeita e bem inspirada do que por vezes sentimos. Tu escreves muito bem! Bom sempre te ler! beijos,chica
A vida tem este condão de fazer de nós gato sapato, de se divertir com os nossos esforços por entendê-la, por domá-la. Até podemos argumentar que não é isso que queremos fazer, que apenas queremos frui-la, mas ela, senhora experiente mas sempre jovem, ri-se de nós e faz-nos corar. Mas a sua tolerância é ampla, e está sempre disponível para considerar nova tentativa. E, sabe uma coisa, Valéria? Ela nunca se cansa, nós é nos vamos desgastando...
Beijo :)
...Hoje, voce descreveu meu dia. Simples assim.
Perfeito!
bjossssssss
Que dure o tempo que durar...Que dure enquanto vc precisar das dúvidas, das certezas e de momentos tão seus...
Bom...as pessoas se mantém sempre meio distantes...
Quando despedaço flor que não cuidei, fujo do jardim que trabalhei. Corro pra fora de mim. Corro pra deserto sem fim. Coração não chega não.
Os dias são dos indivíduos e dos respectivos espaços que eles necessitam. Gostei do texto, bastante sugestivo. Yayá.
Sensacional.Adorei.
beijinhos
Oiii
Estava com uma saudade incrível do seu cantinho.. das suas palavras...
Como é bom voltar e te reler...
:DDD
Bjuuu =*
P.S.: Vc continua escrevendo incrivelmente perfeito.. adooro!!
Lindo!
E será que existe alguma coisinha que seja, que você escreva e que eu não goste?
É tudo tão maravilhoso!
Beijosssssss
Fico em silêncio, porque hoje vc escreveu todo o meu sentir de ontem e ainda do hoje...
Beijos linda
"Nada justifica, nada explica, eu falo e as pessoas subentendem, com olhares rápidos que confirmam ou discordam ou simplesmente, se omitem."
Isso é aqui? em BH? só pode...
tá que tá viu...
beijo
todo mundo se sente assim um dia , lembre-se qe amanha é um novo dia, com tudo novo :D liiindo .
adoorei
beeijos
Olá Valéria! Belíssimo e bem coordenado texto. Adorei!
Beijos e muita paz pra ti.
Furtado.
Oi querida!
As vezes me sinto assim também!
LINDO texto, parabéns!!!!!
Tem sorteio lá no Trésors.
Beijinhos e um lindo findi!
Sabe, Val, as pessoas estão cada vez mais se tornando apenas imagem, e não passam disto. Não nos impressionam mais, não nos atraem, jogam sujo, falam besteiras, não se interessam por nada e não veem beleza em nada, inclusive já não são belas! Não sei o que acontece... será o nosso vazio particular à efetuar em nossa realidade?
Já não sei responder! Mas adorei sua reflexão!
Enfim, amor, quero te convidar à fazer uma visita ao meu blog que trato sobre idosos (http://emjpcantinhoespecial.blogspot.com/) junto com uns amigos da escola afim de socializar um projeto! Seja muito bem-vinda por lá! Espero que goste e nos ajude na divulgação e nos seguidores (rsrs).
Beijos, querida!
Vim te trazer meu novo endereço.
achoqueestoureflexionando.wordpress.com
Te espero lá!!!
Beijinhos no seu coração.
Às vezes é necessário o isolamento, é necessária a solidão. Espero que esse momento passe quando for o momento certo, que o mundo esteja lhe reservando algo bem bonito para depois rir da sua cara como quem diz "eu avisei".
Estou certa de que o mundo ri de nós, de nossas dores passageiras, dores estas que jurávamos serem eternas.
Lindo.
tem dias assim, dias de não, dias de sim, de talvez…
o melhor de tudo é que sempre é um ciclo, passa.
Sentir por ai, é nos dar o privilégio de imaginar esses lagos transparentes, de samambaias ritmadas, que tua sensibilidade cria,para o nosso deleite.
Obrigado.
Beijo no coração e bom fim de semana.
Esse que de conflito, já carreguei um tanto comigo, a gente se fecha em copas e esquece como desabrochar...mas a primavera impreterivelmente chega e contra isso não temos forças pra lutar..
Vivo todos os invernos de mim, sempre que me sinto nevar aqui dentro....
Entendo-te menina flor...e te digo, guarda-te semente, há tempo pra tudo.
Bjo-te
Erikah
Um dia por vez...tudo muda o tempo todo...
Beijo Lisette.
Quem sabe, se permitir alguns momentos de reflexão e partir para uma autoanálise, e assim, tomar uma decisão ou entregar nas mãos do nosso "PAI" todo poderoso.
Beijos,
Furtado.
Mesmo atrás dos mais altos muros ainda subsistem os mais lindos jardins. Não os vemos, mas quando sopra uma brisa do sul, sente-se o seu aroma. E a gente sonha outros sonhos...
Você desenhou com palavras o meu humor nessa semana!
Suas crônicass vão além da literatura e passeiam por outras artes! Amo!
Fica com Deus,
bacini.
"As pessoas estão escondidas por grossos casacos de lã, a impressão que se tem é que estão rindo para dentro"
fantástico esse texto, simples, com uma poética que é um prazer de se ler.
grande abraço e um ótimo fds.
Eu tambem tenho essa vontade de fugir pra lua de vez em quando,,,e ficar lá um bom tempo,,,,pra esquecer algumas coisas....grande beijo de bom sabado pra ti querida.
um tanto introspectiva,sabe é necessário esses momentos só nosso moça.
as vezes é preciso encontrar um pouco vc,si msm e ir lá na lua e voltar,eu faço isso milhares de vezes quando vou estudar (isso não é muito bom no meu caso mas fazer o que né?)...
fique lá o tempo necessário,e bom não esquece de mim eu tô sumida mas eu não esqueço dos seus textos que me deixam sempre assim meio pensativa,meio feliz ,as vezes com espiríto poético que não tenho muito,muitas saudades msm e realmente gostaria de estar acompanhando mas vou ler tudinho,tudinho que não li quando tiver um tempo .
um beijo moça. e curta seu momento.=)
Me sinto assim quando estou melancolica, saio pelas ruas e vejo as pessoas por lá, em seus mundos com suas estranhas indiferenças e as vezes penso que tudo poderia simplesmente desaparecer, mas elas continuam por lá com suas vidas a causar-me exaustão.
bacio
Saudade
é trazer para dentro do peito
o que deveria estar
ao alcance dos olhos.
Lou Witt
Beijos na alma e coração...M@ria
Siempre estupendas las cosas que nos dejas...
Saludos y un abrazo.
Feliz domingo.
Estão todos se protegendo, estão todos se escondendo, estão todos desaparecendo...
lindo tudo o que você... aqui é um lugar que não se pode deixar de visitar. parabéns. Ana Paula Fumian www.manuscritus.com
Valéria,
O ser que pensa em palavras atrapalhadas chacoalha-se, e sem fugas para não perder as pedras como memoriais de louvores na casa da habitação. E outrora, do tanto medo, que do sim intensificado tão profundo embaixo, abolido por presente organizado, pelo nomear do bom combate na singela esperança do haja. No espírito o pulsar provocado pela espada de dois gumes, o que não adere dizer insano com bater forte à porta de madeira maciça, que a todo balouço do momento, na tentativa de usurpação às conexões – compreensões, dado ao fato das precipitações climáticas, e por facas aos órgãos vitais. Assim, por sentir-se embrenhado, e em vigor borbulhante das cores que se é na asfixia entorpecente – tsunamis interiores. Mas, na porta colorida do terceiro céu, como tinta desenterrada à permissão do tintureiro, para que o click particular e o replay num alvoroçar perpetuem a análise do andar, que sem receio de ferir os pés absorva o resgate dos arquivos mortos. Nas paisagens que vê a gravação de um fogo na alma, que de capturas as linhas com nulo esquivar dos sofrimentos, e se polvilha o caminho apraz no barco das grandes navegações, na qual a ponte em prevalência aos pequenos atos sela-se expansão – alargar da tenda e, percorre-se a música que compõe, até que seja transformado e purificado. Afinal, o aperto doce das cores mais doces crescente sinaliza que estar em silêncio ao invés de falar, recorre-se as entranhas que se movem no chamado de um nome, morre-se para si. Os dedos de algodão doce no mistério formoso, com cheiro de passarinho que com cantos infindos, traz à tona o retrato convidativo para saborear cada milímetro do desembrulho, tais presentes que estão a ponto de espalhar os brinquedos – os sintomas desagradáveis, mesmo que, os que estão ao redor vomitem dizeres julgativos. E do expor-se em fragmentos e com cautela nas palavras soltas no dizer tão intimo do solo cuspido, descobrimento das cicatrizes e reaprende-se o cultivo. Das manhãs nascidas, a palma das mãos ainda guardadas no botão de uma gardênia, tocadas pela metamorfose, com o mostrar gentil de cada tropeço, e desvenda a sincronia das bordas; beleza peculiar à nudez preconizada em chegadas e partidas, irrecusável para a inteireza. O encontro das variadas linhas do próprio novelo que decompõe o estado crítico, e que o encolher do manto às horas tão perversas e destrutivas, desabrocha o que já não é regra de abismo por decisão do avante.
Abraços
Priscila Cáliga
Valéria,
Tudo tem o seu tempo para acontecer...
Beijos!
AL
Eu acho que mesmos os "nãos" podem ser iluminados. De vez em quando é preciso dizer não centenas de vezes para que o seu sim descanse e esteja pronto pra reverberar com força em uma próxima estação.
T.
Querida amiga
Com o tempo dias
assim serão comuns.
Vontade de encontrar
o que se perdeu
pelo caminho...
Que sempre
existam
sonhos em ti...
Como diria Belchior: Tudo muda - e com toda razão.
Bjs!
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