31 de agosto de 2010

Selenita

"A Lua" - Tarsila do Amaral


A luz
da Lua
invade
em conta-gotas
meu quarto.
Luz dividida,
repartida,
em meias verdades
ou em bocas minguantes.
Lá fora,
é Lua cheia.
É Lua plena.
Uma plenitude
que jamais
deveria
deixar de ser
crescente.

ValériaSorohan


Agraciada
pelo blog  2+2=5

27 de agosto de 2010

Recados da noite



Vem depressa.
Vem em torrente
caudalosa feito rio.
Desnuda
minha alma.
Abranda
a minha fome
de poesia.
Planta versos
em mim.

ValériaSorohan



Este selinho recebi do blog

24 de agosto de 2010

Balada de uma nota só



Que horas são?
Não sei.
Não me digam as horas.
Digam-me carinhos, façam-me estórias.
Tenho medo. Estou só.
Meus amigos ficaram encapados em seus discos,
 livros e posters bem elaborados.
Me contam coisas impessoais, desatualizadas.
Nenhuma alegria inusitada, tentando me fazer sorrir.
Alguma coisa calada e rara tomou conta de mim,
sem que eu percebesse e não sei como chamá-la.
 A blue surprise, talvez, em homenagem à Billie Holiday,
que é quem agora canta para mim.
Tem mais poeira do que ar nesse instante,
em que tudo ficou longe e passado,
como se fosse outra vida
e eu o único ser sobrevivente.

ValériaSorohan


Outro selinho, agora
do blog Rosane Marega

22 de agosto de 2010

Ferida cicatrizada


Lágrimas nos olhos quando
Eu romântica
Masturbei seu nome
Pela última vez

ValériaSorohan




Sem ideias para escrever, republico esses versos que foi postado em fevereiro deste ano.

20 de agosto de 2010

Mais uma vez, Maria

"Claude Monet"


Lembrei-me novamente de Maria. E sua total falta de cor azul! Nem na roupa a moça tinha azul!
E mesmo assim a sua história me transmitiu um colorido com todas as cores da paleta do Pintor do Universo!
Não contei de Maria e de seu Amado pássaro encantado (um paranaense), que afinal, a leva até as franjas do mar, deixando-a encantada.
Maria como tantas outras, com seus tristes olhos brilhantes de sonhos apenas sonhados, descobriu que o amor abria-lhe as asas, despertando sonhos e desejos, retocando-lhe a pureza e a juventude.Carta de alforria, vida sendo reiniciada.
Ele, a tira da cela, mostra-lhe as cores da vida e dá vida a ela. E ela, temerosa, muda seu nome e segue sem rumo, não mais sozinha.
Amei de paixão essa Maria. Me encantou com sua sensibilidade, ingenuidade, simplicidade. E da soma de tudo isso, mostrou garra, coragem, esperteza e astúcia suficiente para espantar todos os seus demônios e não permitir que acabassem com ela.
Embalou-me em sonhos azuis e de todas a cores. Pois só o amor resta de colorido sobre a face da terra.
Maria fugiu com o seu pássaro.

 

18 de agosto de 2010

Apanhadora de sonhos

Imagem da net



Eu acredito em sonhos!
Eu acredito em chão
que se cobre de estrelas,
em fecundação da vida,
em precipícios
que se transformam em céu.
Por isto insisto
nos meus finais felizes.
Tenho como certo
que tudo recomeça
a cada instante.
E pactuo
com o amanhecer,
a esperança de saudar
um novo dia.

ValériaSorohan

16 de agosto de 2010

Maria

" Contadina seduta sull'erba" - George Seurat.


Fico imaginando como seria sem graça uma história sem lágrimas, uma vida sem perdas, uma infância sem saudade...Tudo faz parte e faz falta. Tudo vem e tudo passa.
Por mim passou Maria, uma mulher com a alma desbotada. Não tinha nem um sorriso no rosto magro e sofrido.
Era a empregada do vizinho. Seu patrão, um folclorista, trazia espécimes raros de todos os cantos do Brasil para sua casa: quatro araras, dois pavões, não sei quantas tartarugas e até um casal de mutuns. Maria era mais um dos troféus que ele exibia. De que lugar ele a trouxe? A gente não perguntava, por isso ninguém sabia.
Maria nunca disse uma palavra às crianças que lá iam, mas quantas vezes a ouvi chorando sozinha.
Existem pessoas que não se pode explicar. Simplesmente são, como Maria.


Voltar ao passado, contar o imaginário da infância nos traz um lado lúdico e saboroso. Isso lembra Graciliano Ramos em "Infância", isso lembra Magdalena Antunes em "Oiteiro", isso lembra Walter Benjamin em "Infância em Berlim". Essas lembranças nos remete ao que fomos e sempre seremos.

12 de agosto de 2010

Chove aqui dentro





A chuva sempre me passa muitos significados.
Imagens que me conduzem em correntezas.
Me enche de contemplação,
mas também sou chuva,
 quando me bate tristezas insuportáveis.
Não consigo voar com as asas molhadas.


ValériaSorohan




"Esse texto eu escrevi há uns 5 anos. Estava no hospital, enquanto meu irmão se ultimava de um câncer. Há uma mistura de sentimentos e de situações dentro dele. Eu tinha medo. E no final, o medo me venceu."

10 de agosto de 2010

Velha fotografia



Somos onze,
os dez mandamentos e eu.
Fazemos tranças,
meus tantos mil fios de cabelo e minhas mãos.
Pedimos uma estória da verdade,
eu e opção que a mentira me contou.
Geramos,
eu e o orgasmo de Deus.
Damos vida,
eu e meu útero aquecido.
Vendemos verdades,
eu e minha estrutura simulada.
Vivemos todos os dias,
eu e a morte que não compreende um sono forrado de sonhos.
Começamos,
eu e o fim da castidade.
Imaginamos,
eu e o anúncio de neon que dá banhos vermelhos na minha janela.
Viajamos,
eu e a passagem confirmada.
Procuramos,
eu e a vontade louca de ser eu.


ValériaSorohan

8 de agosto de 2010

À deriva

Desconheço o autor da imagem

Sou barco
sem rumo,
cativado
pela incerteza
da deriva.
Preciso,
de não ter cais.

ValériaSorohan




Recebi este selinho
do blog Rebrilho e Rebrilho

5 de agosto de 2010

Nunca te vi, sempre te amei

 " 84 Sharing Cross Road", é o nome de um filme antigo muito legal. Título no Brasil: Nunca Te Vi, Sempre Te Amei.
Um filme lindo do final da década de 80, onde os protagonistas passam a história e a vida trocando cartas. Sempre como amigos, sempre educados e contidos, mas com mensagens de um amor vivo e alimentado pela troca de correspondência.
Ele na Europa. Ela na América. Nunca houve o encontro. Houve o amor? Sim, claro que sim. Não na forma como pensamos ser a "certa" mas de uma forma toda especial. Somente os dois eram capazes de entender aquela espécie de relacionamento.
Essa história se passa em 1949, portanto, nem pensar em internet, né?
A modernidade trouxe-nos a realidade virtual que permite o correio instantâneo, sem espera do carteiro, sem a abertura ansiosa do envelope e sem o cheiro que se dava na carta antes de ler.



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Não importa
onde eu esteja,
importa que seja
no seu coração

ValériaSorohan

4 de agosto de 2010

Parafraseando


Infeliz(mentes), com atos demagógicos e perdulários,
em detrimento à minha cidade e sua população.
Quem duvidar do questionamento
favor verificar in loco, na periferia da mesma.
Ali na certa encontrarão verdadeiras aberrações
de uma (sub)vivência, imunda e carente em todos os sentidos.


Favela da zona sul de  São Paulo

2 de agosto de 2010

Lindonéia

“Lindonéia, a Gioconda do Subúrbio”

Dia desses numa espera telefônica, me deixaram plantada ouvindo Lindonéia, interpretada pela Fernanda Takai, foi uma espera muito agradável diga-se de passagem, já que é de muita paciência ficar esperando ao telefone.
A música é de Caetano Veloso, inspirada na obra do artista Rubens Gerchman “Lindonéia, a Gioconda do Subúrbio” . A primeira gravação foi feita por Nara Leão que oficializou o Tropicalismo.
Para quem não conhece, vale a pena conferir:

"...Lindonéia, cor parda
Fruta na feira
Lindonéia solteira
Lindonéia, domingo
Segunda-feira..."

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Tais versos,
os teus.
Na ponta
dos dedos,
também teus.
Deixam o coração arfante.
O teu?
Que nada:
o meu!

ValériaSorohan