31 de março de 2011

Em conta-gotas



De...gus...to...-...te...em...do...ses...ho...me...o...pá...ti...cas...
e...vi...tan...do,...as...sim,...u...ma...o...ver...do...se...de...ti...

ValériaSorohan

29 de março de 2011

Água na Oca





Na exposição Água na Oca tive um insight - a água é que molda o mundo.
Agora sobre a arquitetura de Oscar Niemayer. A oca do Ibirapuera, é concebida como a oca dos índios e também pode paracer com um disco voador. Índios são considerados primitivos, extra-terrestres são considerados uma raça superior, uma contradição poética convivendo no mesmo espaço, genial por parte de Niemayer. As águas me deixaram tonta...amei com toda alma, tudo que vi...nunca mais serei a mesma.

28 de março de 2011

Everybody lies



Todo mundo mente, 
de forma compulsiva e inconseqüente. 
Esconde o que sente. 
Guarda tudo num cofre.
E depois não entende, 
por que diabos sofre 
E, mesmo assim,
segue em frente.
Como se a culpa não lhe fosse pertencente.
Como se fosse vítima dos demais, 
que tanto mentem 
E nunca réu. 
E mente mais.
E busca o céu, 
E quer ter paz, 
Mas não os faz 
por merecer. 
Mente
por esporte, 
por amor 
ou talvez até por prazer.

ValériaSorohan



Recebi este lindo selo
do blog Light [Luz]




25 de março de 2011

O menino que carregava água na peneira



Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

Poema de Manoel de Barros
Retirado do livro: Exercícios de ser criança

23 de março de 2011

Em bom português



Se digo: "saudadeava", 
o pretérito imperfeito me desmente 
(saudade é sempre).
Se digo: "saudado", 
o presente não me basta 
(saudade já havia).
Uma palavra vórtice é a saudade, 
que tudo trouxe e trará, 
do passado ao futuro.
Do pretérito e do presente, 
vislumbro o futuro imediato.
Conjugo todos os tempos,
 irremediavelmente, 
ao mesmo tempo.

ValériaSorohan

21 de março de 2011

Música como refúgio

Janis Joplin


A música é o avesso da ordem momentânea 
que invade meu ser histérico 
por aventuras e amplidões exacerbadas, 
para camuflar os deleites amorosos falíveis, 
incompletos e mais insanos e sem sentido.
A música atinge a minha alma.
Quantas músicas disseram o que eu sentia 
e não conseguia dizer, inúmeras.
Algumas, inclusive, cantadas por você.

ValériaSorohan

18 de março de 2011

Antecipando saudade


Ali no topo
Ali no meio
do tempo,
uma pausa.
Vento traz notícias,
conta  das lembranças,
dos agrados,
dos anseios,
da liberdade.
De tudo que envolve
essa saudade.

ValériaSorohan



"E se teu amigo vento não te procurar,
é porque multidões ele foi arrastar".
(Fagner)

14 de março de 2011

Pleitos Atómicos


Eu gosto de escrever. Não que isso decifre algo novo sobre mim. Mas quem disse que esse é o objetivo?
A graça é se divertir, aliviar, reforçar, guardar um sentimento para sempre ou para nunca mais.
Minha necessidade de escrever não é vontade de fazer algo bonitinho, nem  algo feio para chocar, nem  que inspire para revolucionar, nem que suspire para romantizar.
Escrevo porque preciso, porque é uma das maneiras que eu tenho de não enlouquecer, de tirar umas coisas loucas da cabeça e "cuspi-las no papel".
Escrevo para me comunicar. Às vezes nem sei o que quero dizer exatamente, mas eu falo, ou melhor, escrevo. Quem sabe alguém entenda, ou talvez eu mesmo depois de muito tempo entenda. Ou não entenda nunca. Mas passa longe de ser algo sem propósito. Razão há.
Escrevo, para que a vivência conceba a sobrevivência.
Escrevo, para que o preâmbulo seja o ápice do posfácio.
Escrevo, para que o derradeiro se derrame nos percalços,
Escrevo, e torno a procurar fora de mim o que dentro se encontra.

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Recebi este selo do blog
Os brejos ao redor de minha alma agreste...



8 de março de 2011

Habitante hipotética da lua


Sem o sonho, 
é impossível dimensionar a vida, 
porque às vezes
ela fica intragável
e completamente absurda.
Eu sonho,
e cometo meus versos 
a vida inteira.

ValériaSorohan

3 de março de 2011

De enfeites e adornos


Samba.
Samba.
Samba
e deixe atrás de você
o rastro indelével 
desse riso louco.
Vá indo,que eles já vão.
Ser feliz sem compromisso
não deve ser difícil,
neste lugar onde
tudo se confunde,
onde todos se dispersam.

ValériaSorohan