16 de dezembro de 2009

Volto logo!


Vou me ausentar por alguns dias, pra curtir minhas férias merecidas. Mas logo tô de volta. No ano que vem eu volto...rs
Beijo a todos!

Desejo que todos comemorem suas vitórias, que a elegância prevaleça nas atitudes, que a privacidade volte a ter valor, que tenhamos muitos momentos de folga entre um trabalho e outro, que seja possível viajar de vez em quando, que "crise" seja apenas uma palavra do passado, que "entusiasmo" seja uma palavra que descreva muito bem o nosso presente. E da mesma forma, eu também espero que "paz" seja muito mais do que uma simples palavra de esperança para o futuro.




Bom Natal e um 2010 DEZ!

12 de dezembro de 2009

Enchendo o saco


Ele chegou vestindo uma roupa toda vermelha, preta e branca, que o protegia do frio polar naquele iglu cheio de pacotes de todas as cores e tamanhos. Fui recebida por muitos duendes para alguns minutos de uma conversa franca com o mito em pessoa, o bom velhinho.
Eu: Posso ver o saco?
Noel: Claro! [se dirige a um dos seus duendes] Zero-um, apresenta o saco pra moça.
Eu: O senhor é um fanfarrão, hein?
Noel: Rou, rou, rou!
Eu: Um relógio?
Noel: Esse é pro Luciano Huck, apesar de ele não ter se comportado bem esse ano.
Eu: Tô vendo. Mas ele nem funciona.
Noel: Não é bem assim. Duas vezes por dia ele vai marcar a hora certa. Cadê seu espírito natalino, garota?
Eu: Nossa! deve ter umas 500 bússulas aqui dentro.
Noel: São todas para executivos de gravadoras. Eles mandaram as cartas mais tristes que recebi este ano. Quer ler alguma?
Eu: Aqui diz: " O senhor tem que nos prometer. Sei que é difícil cumprir, mas faz o nosso próximo disco estourar!"
Noel: Carta errada. Essa é dos rapazes do NXZero.
Eu: Então esse estoque de delineador aqui é para eles?
Noel: Não, não. São pro Caetano. O do NXZero...está aqui.
Eu: Cartilha Caminho Suave?
Noel: Com todos os tempos e modos verbais bem explicadinhos! Mais de 1/3 dos brasileiros foram alfabetizados por ela, sabia?
Eu: Ops, pisei em alguma coisa. O que é isso debaixo do sofá? Uma boneca inflável? Noel? Nunca pensei que o senhor...
Noel: Não é pra mim. Rou, rou, rou! É que o dono desse presente pediu na cartinha, diga-se de passagem escrita por um laranja, que fosse entregue com a máxima discrição e acompanhada de nota fiscal falsa. Sabe como é né?
Eu: E que mal lhe pergunte... Quem fez um pedido torto desses?
Noel: O Nome dele é Renan.
Eu: Mas eu pensei que o senhor só desse presentes para as pessoas que sabem se comportar minimamente bem.
Noel: E o Coelhinho da Páscoa existe! Olha não banque a inocente comigo, garota. Desse jeito só Sandy e Júnior ganhariam presente. O Axel Rose ficaria sem o seu óleo de peróba, o Sérgio Dias sem o seu desconfiômetro novo e o Michael Jackson se estivesse vivo...deixa pra lá!
Eu: Mas o senhor continua o mesmo velho batuta de antes hein? Presenteando os ricos e cuspindo nos pobres...


(Adaptado do texto de Miguel Sokol "Rolling Stone" Dezembro de 2007 )

9 de dezembro de 2009

Cenas cotidianas

Academia

Antes, quando eu entrava em uma academia, só telefonavam para a minha casa se eu parasse de pagar. Agora, se eu começo a faltar o professor me liga para saber se está tudo bem.
Eu não confio muito nos terráqueos, tenho certeza que o objetivo é não perder seus clientes. Os otimistas diriam, talvez, que é uma preocupação real com a nossa pessoa. De qualquer forma, sou contra. Eu aho que todos tem direito a fugir da ginástica em paz.


Blitz

A blitz da lei seca, todo mundo já conhece. Mas outro dia, num engarrafamento estranho no meio da madrugada, bateu aquela dúvida: será que era mais um teste no bafômetro?
Foi então que o taxista explicou. " Nada. Tem blitz da lei seca. E a blitz da cervejinha..."
Passa a régua e fim de papo.


Fórmula obscura

Sobre os valores pagos a mais pelos usuários por um erro na metodologia dos cáuculos da conta de energia elétrica que chegam à incrível soma de mais de R$ 7 bilhões, a mim bastaria que de agora em diante o cáuculo referente aos impostos federais e estaduais fosse efetuado apenas sobre o valor de serviço prestado pela operadora, só isso.
Só os astrofísicos, doutores em matemática, paranormais, extraterrestres e assemelhados entendem a fórmula utilizada que faz que paguemos imposto de imposto.

7 de dezembro de 2009

Por quem foi que me trocaram?

Fernando Pessoa é realmente fantástico. Costumo nas minhas horas de "meditação" recorrer à sua excelenência em busca de um alívio, e, via de regra, encontro.

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?

3 de dezembro de 2009

Vida simples


A estrelas são tão iluminadas...não será para que cada um possa um dia ter a sua?
(Antonio de Saint-exupery; autor de O Pequeno Príncipe)


Tento me lembrar como era antes. Tinha uma época - acho que foi na pré-história-, que eu pegava um ônibus para entregar documentos da empresa onde eu trabalhava. Isso mesmo. Saía de casa com um papel batido à maquina, tomava a condução, atravessava a cidade, chegava lá, deixava o papel e voltava. Demorava umas duas horas, no mínimo. Até que a empresa conseguiu comprar um fax. Uma revolução. Você tinha que avisar que ia mandar um fax, alguém dava o sinal e você passava o documento. E se a pessoa estivesse sem o papel do fax? Aí não tinha jeito: lá ia você, com o papel batido à maquina mesmo, pegar a condução... todo aquele caminho de Santiago. Hoje é a internet e se ela não está funcionando? Viva a condução!! Devagar e sempre. como diria o Xis, sei lá de repente.

1 de dezembro de 2009

Conto proparoxítono

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular (...)
Agora, quem coloca ponto final sou eu. Ou melhor: coloco dois. Um, é para não perder a mania. Outro, é porque isso é um conto rápido, e não uma oração adjetiva explicativa.

(Redação feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.)