9 de setembro de 2011

Do fundo do meu estômago


Uma vez comi um ravioli que foi a coisa mais incrível da minha vida. Depois disso meu paladar nunca mais foi feliz.Um dia você experimenta uma comida gostosa e, depois, passa o resto da existência tentando reproduzir a experiência gastrônomica. E nunca consegue, e com o meu ravioli mágico ideal foi assim. Tudo começou quando...
Eu aguardava o lançamento de um livro. A coisa foi demorando e, claro, tinhamos ido pra lá sem almoçar. Quando terminei o que tinha de fazer por lá, resolvemos, eu e um grupo de amigos, almoçar.
Por causa do horário inadequado o restaurante era todo nosso. Pedi um ravioli. Acho que se alguém me oferecesse um pão com água, eu ia achar uma delícia. Naquela situação, poderia comer qualquer coisa. Mas o ravioli - justiça seja feita - estava gostoso. Muito gostoso. Incrivelmente gostoso. Minhas papilas gustativas tinham orgasmos múltiplos. Estavamos felizes e, por isso, tudo ficava ainda mais saboroso. Começava aí o meu Caminho de Santiago do ravioli mágico ideal. Porque nunca mais consegui comer um ravioli como aquele.
Muitas vezes tentei ir ao restaurante repetir o almoço. Só que sair para almoçar num final de semana em São Paulo é quase uma guerra. Como o grande programa da cidade é o bendito almoço, as filas são clássicas. E uma das coisas que mais odeio é ficar na fila de espera de restaurante. Ou seja, o mito do ravioli foi crescendo. Se tornando um monstro. O ravioli, na minha cabeça cheia de imaginação, foi ficando ainda mais gostoso.
Só me resta seguir, sabendo que tudo na vida é uma idealização. Inclusive nosso amores. Mesmo que você tenha se apaixonado por...
um ravioli.

15 Mil comentários:

chica disse...

Que legal esse teu jeito! É verdade, há coisas que comemos, gostos, cheiros que ficam em nossas memórias e nunca mais as encontramos iguais...

Um beijo,tudo de bom,chica

Patrícia Gonçalves disse...

Valeria, qual o nome do restaurante, eu vou pedir e mandar entregar pra você!!!!!

Eu sei o que é isso, uma vez fiquei apaixonada por um prato de peixe com molho de pinolis e vinho, bárbaro. Toda semana eu ia lá e pedia o mesmo prato, o garçon já sabia, meu sentimento era de paixão, eu queria me casar com o prato. Mas, depois de 3 meses comendo a mesma coisa, cansei e pedi divorcio. Coisas da vida!

bjs

CARLA STOPA disse...

Sabor eternamente inesquecível...Simplesmente há algumas coisas que são únicas...

Menina no Sotão disse...

Nem me fale, até hoje choro as mágoas por causa de um bendito doce de leite que eu só comi um e isso lá nos meus seis anos. Nunca mais comi outro igual... E o pior que esse eu vou levar comigo, aquele sabor delicioso que as vezes surge entre a paisagem junto as minhas narinas. rs

bacio e boa sorte com o ravioli.

Pelos caminhos da vida. disse...

Tem sabor que fica para sempre, eu como amo massa sou suspeita para falar...

Bom fim de semana.

beijooo.

Helcio Maia disse...

Valéria, certamente o ravioli também apaixonou-se por você. Ele percebeu o acolhimento, desde o seu olhar até as garfadas rítmicas, quase descompassadas. Apetites são determinantes para quase todos os empreendimentos. Bendito seja esse ravioli.
Bom fds!!

Anônimo disse...

Valéria, querida amiga. Este seu texto é uma pérola. Do nada você tirou um assunto que, com certeza, já marcou todo o mundo. Não há quem não tenha um "causo" desses para contar. Não com o mesmo brilho do seu relato. Você é genial!
Adorei isso:
"Minhas papilas gustativas tinham orgasmos múltiplos."
Muito legal, não é?
Beijokas cheias de carinho no seu coração.
Manoel.

Artes e escritas disse...

Aproveita que é fim de semana e saia antes do restaurante abrir, não pegue fila e coma o seu ravióli. Um abraço, Yayá.

Jeannie Maria disse...

Que texto mais inspirador logo agora, que estou estudando gastronomia ahaha!
É verdade, os amores platônicos só são perfeitos porque habitam nos sonhos, tente trazer a realidade e vc terá um pesadelo ahaha!
Um ótimo FDS,
Bacini.

Unknown disse...

"Se te amas a ti mesmo,
ama os outros do mesmo modo.
Enquanto amares uma única pessoa menos do que a ti mesmo,
não te conseguirás amar a ti mesmo."

(Meister Eckhart)

Beijos & Flores.......M@ria

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

É verdade.
As vezes tudo
o que fica
é o gosto da primeira vez...

Viver é sentir os sonhos
com o coração.

Anônimo disse...

Um pouco antes de me casar, viajava com minha mãe para comprar os móveis da minha nova casa. Numa dessas idas e vindas descobrimos, na cidade de São Bernardo do Campo, uma cantina muito pitoresca e graciosa e lá comi um pão preto absolutamente delicioso. Nunca mais consegui comer outro tão saboroso quanto aquele. Ele se tornou o meu "ravioli" dos sonhos...rs. Cheguei inclusive a fazer pão preto em casa, mas não obtive jamais o mesmo sabor. Talvez se eu reproduzisse a situação emocional daquele momento eu reencontrasse o tão procurado sabor daquele pão.
Menina, vc escreve muito bem.
Beijokas e um saboroso domingo pra vc.

Anônimo disse...

Penso, que tenho a receita.Já postei no blog, desde ja, perdoe a ousadia, e a arrogância, mas como egoísta que sou, me agrada pensar no prazer que sinto, quando te faço sorrir.


Beijo contente e um bom domingo.

2edoissao5 disse...

aos dez anos cruzei o país com minha mãe,uma tia e um primo, na volta para casa o ônibus quebrou 3 vezes e na primeira noite todos estavamos morrendo de fome ao descermos em Governador Valadares, ainda sinto o sabor do filé com macarrão daquela noite! rs

vanessa cony disse...

São lembranças saborosas,,carregadas de aromas ,sons e gostos.Marcam mesmo.
Beijo Valeria,divertido e gostoso de ler.

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