Foto real da nossa árvoreEla sempre esteve lá, solitária no meio da plantação. Faz parte das minhas lembranças mais queridas de tempos em que eu passava férias no sítio da minha avó.
Erguia-se com graça, perto da porteira, minha irmã ontem telefonou contando que a nossa árvore caiu.
Lembro da época em que era apenas um pouco mais alta do que eu. Quando a vi pela última vez, em setembro passado, beirava os 20 metros de altura. Gostávamos de falar dela como se fosse alguém muito querido. Se fosse semana da pátria, nos recebia florida. Flores miudinhas, amarelas, delicadas como a árvore toda. Dava frutos bem pequenos, só os passarinhos alcançavam na lonjura de seus galhos.
Muitas vezes sentávamos na porteira, ao entardecer, para admirar sua silhueta clara contra o céu. Um céu rosa manchado de lilás, como se vê nas tardes quentes de interior.
Perto do final de ano suas flolhas caiam até deixar nus seus galhos finos. A paisagem entristecia. Confesso que me sinto um pouco responsável por sua morte. Só agora sei que as árvores, assim como as pessoas, sofrem de solidão.
Não é romantismo não. Outro dia mesmo ouvi um amigo lastimando a perda de três árvores, um Jacaranda, um Ipê, e um Jatobá. Só madeira nobre. O último temporal as tinha derrubado, porque estavam uma longe da outra. Árvores isoladas morrendo. Não podia ser apenas coincidência. Se eu fosse uma árvore queria viver rodeada de outras árvores. Sozinha uma árvore fica mais vulnerável a ação do tempo. Quando chove pesado ou venta muito, uma árvore serve de anteparo à outra. Se faz calor demais, dentro da mata é sempre muito mais fresco do que no campo. Descobri que as raízes de uma árvore, no meio da plantação, podem ser agredidas pela passagem das máquinas. É difícil se manter firme quando se tem as raízes abaladas. Mais uma vez me surpreendi com as semelhanças entre a árvore e o homem.
Minha irmã tinha a voz melancólica, quando falou comigo. Estava tristre. Contou que um temporal de verão provocou a queda da nossa árvore.
Tento me acostumar com a idéia da paisagem sem a nossa árvore. A porteira aberta, os pés de milho crescidos. No meio, um vazio.
Como o que eu sinto no peito.
10 Mil comentários:
Ai, Valéria... é incrível como às vezes certas coisas nos remetem lembraças boas ne nossas infâncias. Vc deve ter tido uma relação muito boa com a sua vó, já q ela é personagem recorrente dos seus posts.
Quanto à arvore, se puderes, plante outra. Pode não ter o mesmo significado p vc, mas com certeza trará lembranças boas p as gerações futuras.
Beijos confessos!
Essa comparação, é coisa de gênio Valéria... Elas realmente são como nós... Precisam de companhia, tem raízes, e se estas se abalam todo resto se compromete. Lindo!
nossa...seu blog tem um nome tão gostoso...de se ler..srsrs vc falou tão bonito a historia da arvore...fiquei aqui lendo e imaginando vcs....srsrs
olhe flor um xeroo ! vou te linkar tb..só assim tocaremos mais ideias!
JUlie
Minha vó, foi uma delícia. Quanto a árvore isso vai ser feito com certeza.
Átila
Obrigado amigo, gosto muito quando você comenta em meu blog.
Srtº Elis
Bem vinda moça, adorei o carinho nas palavras!
Me encantei com a história da sua árvore, vou plantar uma também e viver um caso de amor com ela e quem sabe poder escrever algo assim. beijo amiga, vale sempre a pena ler seus posts.
Plante outra arvore em memória desta...e dê mais duas amiguinhas pra ela. Essas não terão as mesmas histórias que a outra, mas enquanto vão crescendo, podem construir novas memórias!
as árvores são o nosso equilíbrio, elas consomem o dióxido de carbono que produzimos.
Estou aqui para retribuir a visita, o comentário e para registrar minha satisfação em descobrir um espaço tão delicado, especial... também estou seguindo e voltarei para saborear outros posts...
Um abraço,
Jr Vilanova!
Olá querida!
Obrigada pelo carinho e pode deixar que eu visito aqui sim! Já te sigo tb!
Poxa, eu adorei a foto da árvore, liinda demais e a história mais ainda.. Você a narrou como certamente ela significa pra você: um membro da família!
Fica com Deus e um bom fds!
Beeeijos
Ai que lindoooooo!!
também tenho um caso de amor com uma certa árvore da minha infancia...preciso reencontra-la....! Era um lindo pé de jaboticaba na chacara da minha vó...ai como é bom lembrar assim de nossa infancia!
Postar um comentário